ENTREVISTA: Sounds Like Us

Como eu já disse anteriormente, esse site – apesar do nome, não é só sobre livros. Mas sim sobre tudo que eu leio. E quando o assunto é música, temos um favorito da casa: o Sounds Like Us.

Não é um site para saber as últimas novidades, não é essa a proposta. Mas sabe aquele conteúdo que quando pipoca no feed você já coloca na lista de coisas pra ler e já separa um tempo porque sabe que vai ser uma experiência recompensadora? O slikeus é assim pra mim.

Logo03O Vina e a Amanda conseguem juntar alguns dos meus artistas favoritos (deftones, Sepultura, o Ian MacKaye e toda a turma do hardcore de Washington) com uma grande quantidade de bandas e artistas que eu não faço ideia de quem são, que dão ao mesmo tempo aquela sensação gostosa de aprender coisas novas e aquela angústia necessária de saber que sei tão pouco sobre música.

Foi demais bater esse papo com eles e saber um pouco sobre o site e os gostos (spoiler: a Amanda indicou um dos livros mais fodas sobre música, que está sendo relido e logo mais vai ter resenha aqui no unslivros) deles. Então leia a entrevista, deixe o Spotify ou o Youtube aberto na outra aba pra ir procurando os nomes que eles indicam aqui e visite o site deles. Boa leitura.

Primeiro, queria que vocês se apresentassem e contassem um pouco do que fazem.
Vina, jornalista de formação, publicitário de profissão, músico por amor. Nasci, moro e respiro São Paulo. Meu RG diz que tenho 38 anos, mas certeza mesmo é que 32 anos atrás eu ganhei meu disco do Kiss e depois disso minha vida era só pedir discos de presente. “Ei filho, é Páscoa!” Minha reposta era “não quero chocolate, quero um disco de presente”. Também toco no Huey, uma banda de rock/metal de São Paulo.

Eu sou a Amanda, tenho 31 anos e sou mineira de Uberaba. Sou jornalista e trabalho com produção e edição de texto, e estou fazendo formação em Psicanálise. Quando pequena eu me encantei por música e cinema, e a música foi o que me deu força para preencher as milhares de horas entediantes da vida no interior. Nada contra o interior, que me deu toda minha formação de caráter, mas tudo contra a cobrança de se ouvir sertanejo e ir a rodeios para pertencer a alguma coisa haha.

Como vocês dividem as tarefas do site? Quem faz o que?
A gente faz absolutamente tudo junto. Claro que as sugestões vêm cada hora de um de nós, mas todo o processo passa pelas mãos dos dois. Desde elaboração de perguntas, textos, criação de novas seções, produção e escolha de fotos, revisão, traduções e tudo mais. É tudo bem natural. A gente gosta de muita banda em comum, mas também muita coisa é gosto individual. Nossa própria discografia simboliza isso. Foi legal que quando juntamos os discos, a gente viu que tinha muita coisa repetida.

E como surgiu o Sounds Like Us?
A gente sempre conversava sobre discos e música com frequência. É parte do nosso dia a dia. O site nasceu da nossa vontade de escrever sobre música do nosso jeito, sem qualquer tipo de filtro externo, a não ser o nosso. O lance é sempre escrever sobre o que a gente gosta sem preocupação com uma linha editorial rigorosa, com periodicidade, se a banda X tá na moda ou não, se estão falando ou não, se o texto é longo ou não, se vamos ser xingados por juntar Get Up Kids com Extreme Noise Terror… Porque a gente é assim. Gostamos de música extrema e do rock alternativo dos anos 90, por exemplo. E de Heineken, pizza da Cezane e bolo de cenoura…hahahaha.

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Como vocês escolhem as pautas? Assim, fica claro que é um conteúdo bem nichado, cauda longa dos bons sons, mas como vocês falam: esse cara/banda vale uma entrevista?
A gente escolhe as pautas pelo nosso gosto pessoal e ele pode ser contraditório às vezes. As pessoas podem até pensar que há uma equipe e tudo mais, mas não. É só nós mesmo e dá um puta trampo, mas quando se faz o que gosta o trampo vira diversão. Por isso, as escolhas das entrevistas surgem naturalmente. A gente escreve sobre e procura entrevistar os artistas que admiramos e de quem queremos saber a opinião, escutar boas histórias e dividir isso com quem lê o Sounds Like Us. É meio que conversa de fã mesmo.

Qual foi o conteúdo mais legal de fazer até hoje e qual seria o entrevistado dos sonhos de vocês?
Vina: A Beth Gibbons (Portishead) acho que seria uma pessoa bem legal de entrevistar. Fora ela, acho que o Tony Iommi (Black Sabbath), Kim Gordon, Mitch Harris (Napalm Death/Scorn). Queria ter entrevistado os finados Redson (Cólera), Kurt Cobain e Jeff Haneman (Slayer). Tem muita gente ainda pra gente falar. Das entrevistas que a gente já fez, acho a com o Fenriz, do Darkthrone, bem simbólica. A gente conseguiu falar com o cara antes mesmo do site estar no ar. O cara topou e rendeu muito. Fora essa eu gosto muito da que fizemos com o Jeremy Enigk do Sunny Day Real Estate. A Amanda trouxe do Supaduppa um especial que publicamos sobre o hardcore de Washington DC que eu também gosto bastante. Acho que como a gente opta por fazer só o que realmente gosta, fica meio difícil escolher os conteúdos mais legais. Todos são como um namoro, que vira casamento e resulta em um conteúdo feito com amor mesmo.

Amanda: As entrevistas com o Fenriz e com o Jeremy Enigk foram muito marcantes e todo o processo de pedirmos a entrevista, termos o sim e recebermos as respostas foi muito emocionante. O Ian MacKaye é muito inspirador né; então, aguardem mais haha…. Também gostei muito dos especiais do Ataque Sonoro e dos 30 anos do primeiro disco do Sepultura. Tivemos uma interação muito legal com quem leu. E o especial de discos de 2015 foi uma diversão, pois invertemos os papéis e um escreveu sobre o disco do outro. Foi engraçado. Agora olha, meus entrevistados dos sonhos incluem o Sufjan Stevens, o Eddie Vedder, a Patti Smith e outras quatro pessoas que não posso revelar ainda porque o sonho foi realizado!!!!

Pra finalizar, qual é um livro sobre música que vocês acham que todo mundo deveria ler?
Vina: Po****, aí você complica, um só? Murder in the Front Row. É um livro lindão sobre o thrash metal dos anos 80 e 90. Escolho esse porque essa é uma safra que construiu grande parte do meu alicerce musical adolescente e que me acompanha até hoje. São 300 páginas com fotos do Brian Lew e do Harald Oimoen. Capa dura e imagens incríveis, como o registro do primeiro ensaio do Metallica com Cliff Burton e o Kerry King em seus dias de Megadeth, por exemplo.

Amanda: Vixe, dureza um livro só! Olha, vou falar do Our Band Could Be Your Life, do Michael Azerrad. Foi uma leitura inspiradora e que confirmou o carinho que eu tenho pelo Minutemen e pelo Mission of Burma. E nas outras páginas, você simplesmente tem linhas bem escritas (sujeitas a questionamento, claro) sobre Minor Threat, Black Flag, Fugazi, Big Black, Mudhoney…

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