RESENHA: A Garota na Teia de Aranha

Quando foi anunciada a continuação da série Millenium pensei: “ih, lá vem uma bomba”. Mas, como gostei muito da trilogia escrita por Stieg Larsson, resolvi dar uma chance. Ainda bem.

Millenium-A-Garota-na-Teia-de-AranhaA Garota na Teia de Aranha é o quarto livro com o jornalista Mikael Blomkvist e sua amiga/amante, a hacker Lisbeth Salander (uma das personagens de ficção mais interessantes dos últimos anos). Ele foi escrito por David Lagercrantz, que retomou a história após a morte precoce de Larsson. E o fez muito bem, dando início a uma – quem sabe – nova trilogia.

Neste livro, a Millenium estava mal das pernas e aceitou um aporte financeiro que a deixou meio de mãos atadas. Enquanto tenta comprar de volta as ações para ter controle total novamente, Mikael sofre ataques por parte da imprensa, que o considera um jornalista ultrapassado. Eis que recebe uma ligação de um gênio sueco da computação que estava disposto a contar seus pecados. A história conta ainda com uma invasão aos computadores da NSA, um garoto savant e um fantasma sinistrão do passado de Lisbeth que resolve dar as caras. Pra quem gostou da série original, é diversão na certa.

Uma coisa que achei um pouco cansativa no livro foi o grande número de explicações e auto-referências que Lagercrantz faz a todo tempo. Para quem já leu a trilogia inicial acaba ficando maçante, já que você já sabe quem é quem e quais as ligações de cada um. Mas para o público que está chegando agora à série, faz todo o sentido. Faz, inclusive, quem começar a ler por este volume não se sentir perdido. É claro que começar a ler agora corta horas de diversão da luta de Lisbeth contra Zalachenko, vai perder a história do gato da cabana, das orquídeas enviadas uma vez por ano pro velho milionário…

Uma saída é ver os filmes (os suecos, por favor) que seguem a história bem à risca. Se bater uma preguiça de enfrentar as mil e tralalá páginas dos três primeiros livros, separe umas 6, 7 horas, veja os filmes e aí parta pra essa quarta parte.

Muitas vezes pinta por aqui aquele preconceito de “se é best-seller é uma bosta”. Às vezes, alguns livros que vendem um monte são realmente ruins. Mas se deixar levar por isso pode te levar a perder boas histórias, como essa da série Millenium. Literatura policial verossímil, com boas reviravoltas e personagens – se não perfeitamente construídos – apaixonantes. Tanto que não vejo a hora de saber o que aconteceu e por onde anda nossa amiga WASP.

 

Ficha técnica
A Garota na Teia de Aranha (Det som inte dödar oss)
David Lagercrantz
Tradução: Guilherme Braga e Fernanda Sarmatz Åkesson
Companhia das Letras
472 páginas

 

Avaliação
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Se você gostou da trilogia original, vá sem medo que o autor é quase tão bom quanto o Larsson. Se você não conhece a série mas curte um thriller, também vai curtir.

 

 

2 comments

  1. Pois é. Fiquei feliz e fiquei com medo quando soube que ia sair o quarto livro. Tanto que ele saiu em agosto e eu só fui terminar de ler essa semana.
    A série original é maravilhosa. Curto demais e meu sonho é ser 1/8 badass do que a Lisbeth é.
    Esse quarto livro foi um drama pra mim. Muitos personagens, muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e mesmo assim até 50% do livro eu estava me arrastando porque parecia que não tava acontecendo nada. Depois dos 50% a leitura engrenou, mas fui ficando irritada com aqueles mil cliffhangers que tinha cada vez que ele mudava a perspectiva.
    Gostei? Sim, claro, acho que o Stieg fez um trabalho maravilhoso construindo essas personagens e pra estregar o novo autor iria precisar se dedicar muito hahaha e ninguém permitiria. Mas senti falta do estilo original e achei que o final foi muito NHENHENHE pra Lisbeth (mesmo sabendo que ela pode sim ser sentimental).
    Enfim, quando sai o próximo? hahahahaha

    1. Hahahaha, pois é… tá com cara de que ele vai enrolar, enrolar até um fim (vários volumes depois) com um embate épico entre as Salander.

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