RESENHA: Dona Ivone Lara: A Primeira-Dama do Samba

Foram me chamar / Eu estou aqui, o que é que há?
ou
Sonho meu, sonho meu / Vai buscar quem mora longe, sonho meu…

Com certeza você – gostando ou não de samba – conhece essas canções. Mas talvez não conheça quem as escreveu. É a compositora destes e de outras dezenas de sambas que o jornalista Lucas Nobile apresenta na biografia (ou discobiografia) Dona Ivone Lara: A Primeira-Dama do Samba (Sonora Editora), lançado há alguns meses.

Eu também bati um papo com o Lucas sobre o livro, na entrevista que você confere aqui.

ivonelaralivroO livro faz parte do projeto Sambabook, que de tempos em tempos homenageia uma personalidade do samba com uma biografia, livro de partituras, CD e DVD. Por isso, o formato de discobiografia seja o que mais se encaixa aqui: a história é contada a partir dos discos desse artista, pincelando o que rolava na vida e na carreira naquele período – um formato que eu adoraria ver com outros artistas, não só de samba.

Dona Ivone Lara é uma daquelas personalidades que “está sempre ali” quando se fala de samba, mas eu sabia muito pouco sobre sua trajetória. Sabia apenas por cima que ela havia sido enfermeira e assistente social, se dedicando ao samba só depois de se aposentar da profissão. Também sabia por cima que foi a primeira compositora mulher de sambas enredo, e que foi gravada por artistas como Clara Nunes, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, entre outros tantos. Mas o livro traz várias histórias dessa personagem fantástica que eu nem imaginava.

O autor conseguiu dar um sabor a mais na parte biográfica ao incluir no começo alguns capítulos sobre a vida de Dona Ivone antes do primeiro disco. Enquanto o público médio que gosta de música brasileira (aqui me incluo) conhece só uma pequena parte do que era feito nos anos 60 e 70, uma profusão de artistas compunha e tocava, procurando espaço. Logo nesses primeiros capítulos já fui bombardeado por tantos nomes que pouco ou nada conhecia, que seriam objeto de pesquisa por anos.

Dona Ivone Lara: A Primeira-Dama do Samba é uma delícia de ler, com capítulos curtos com um ótimo ritmo e reproduções de fotos incríveis. Mas ganha mesmo é no texto. Vale falar que a experiência de ler algo escrito por alguém que você conhece tem uma diferença: quando é bem escrito, você consegue ouvir o autor te contando aquelas histórias. E é isso que acontece aqui.

No começo achei que aquela quantidade de nomes e datas acabaria embolando a leitura. Mas não: as histórias são muito bem contadas (como as mortes do pai da Dona Ivone e do parceiro Silas de Oliveira, ou dos muitos acontecimentos de 1983) e nos capítulos seguintes entram personagens mais conhecidos pelos não iniciados no samba, o que deixa a leitura ainda mais saborosa. Depois de terminar o livro, deu até uma vontade de ouvir direito a discografia da Dona Ivone Lara (não posso dizer que ela está entre as artistas que ouço com frequência).

A vontade passou, mas o livro logo mais vai ganhar uma revisita.

 

Avaliação
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Se você gosta de música brasileira, de boas histórias com personagens reais e de uma pesquisa jornalística bem feita, não tem como errar: pode por na pilha de leitura. Lá no topo.

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