RESENHA: Hellraiser

A horrorosa (no bom sentido) novela de Clive Barker, que trouxe ao mundo os queridos cenobitas, em uma edição primorosa da Darkside Books.

Você provavelmente já viu a figura do Pinhead em alguma zapeada na TV nos últimos 29 anos. Um ser careca, cheio pregos por todo o rosto. A série de cinema descambou nas suas inúmeras adaptações, mas a obra que deu origem a esse universo nunca tinha saído no Brasil. Fiquei muito empolgado quando vi que uma edição brasileira tinha sido feita. E como foi bem feita!

hellraiservertHellraiser é uma novela do escritor inglês Clive Barker. É um livro curtinho, que conta a história de um quadrado amoroso que acaba em sangue. Muito sangue.

Frank é um cara viciado em prazer. Depois de rodar o mundo, tendo todo o tipo de experiência prazerosa (sexual ou não), ele acaba conseguindo a Caixa de Lemarchand, um cubo que contém um quebra-cabeça. A solução abriria um portal para uma dimensão onde ele teria todo o prazer que quisesse. Como a curiosidade matou o gato, Frank vai pra uma casa da família, que estava vazia e lá, depois de muitas tentativas, consegue abrir o dispositivo e trazer ao mundo de cá umas criaturas da pá virada.

Esses adoráveis seres são os Cenobitas, uma turminha do barulho aprontando altas confusões, que tem características físicas bem peculiares: todos são ESTROPIADOS: corpos multilados, piercings juntando as partes, pregos… Ninguém avisou pro Frank, mas a noção deles de prazer envolvia um pouco mais de dor do que ele imaginava.

Paralelo a isso, o irmão banana do Frank, Rory, se muda pra casa com a mulher Julia. E aí a história começa a ficar interessante. Não se sabe há quanto tempo Frank esteve na casa, e o casal começa a viver sua vidinha monótona no local. Só que Julia, antes do casamento, teve um caso com Frank, e Kirsty, uma amiga bisbilhoteira do casal é apaixonada por Rory. Era um típico caso de Se combinar direitinho, todo mundo se dá bem. Mas não acontece bem assim.

Um dia a Julia descobre meio sem querer que Frank ainda está no quarto, mas precisa de sangue para recuperar sua “forma humana”. Ela reluta, mas quando se lembra do caso dos dois, acaba cedendo e bola um plano pra trazer sangue – e mais sangue – pra dentro do quarto…

A novela é ótima. Não enrola, vai direto ao ponto, e a mente do Clive Barker é deliciosamente doentia. (O autor tem uma história bem curiosa: um dia, depois de ir ao dentista, teve uma espécie de choque anafilático que o deixou em coma por um tempão. Ele já se recuperou e contou essa história numa excelente entrevista ao podcast Nerdist, que você pode ouvir aqui, em inglês. ). Mas lendo e vendo resenhas, ouvi/li tanto que o livro era perturbador, que acabei me frustrando um pouco. Sim, tem sangue, morte, ganchos etc. Mas a cena que achei mais forte foi a do encontro de Frank e Julia antes do casamento dela.

E, de novo, não tem como não falar do trabalho primoroso da Darkside Books. Que edição bonita! A capa imitando couro sem o nome do livro, ilustrações do cenobita mais famoso, o Pinhead (que no livro me deu impressão de ser uma personagem feminina, mas acabei não pesquisando mais sobre isso…) e a já famosa nos livros deles fitinha de cetim para marcar as páginas. E o mais doido é que eles conseguem fazer edições de fino trato sem enfiar a faca (com o perdão do trocadilho sobre o enredo do livro): Hellraiser custa entre 20 e 30 reais.

 

 

 

Avaliação
Excelentewww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.com
Uma curta, porém certeira, dose de quanto a mente de Clive Barker é perturbada. Deliciosamente horroroso, para ler de uma vez só.

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