RESENHA: O Demonologista

Não se julga um livro pela capa, diz o ditado. Provavelmente o autor da frase não conhecia os livros da Darkside Books.

demonologista-3dAntes que você se pergunte: Não, isso aqui não é um jabá da editora (mas se alguém da Darkside estiver lendo isso e quiser mandar uns livros, tão aqui meus contatos).

Você provavelmente já viu os livros deles nas livrarias: capas lindas, títulos que fazem até o maior defensor dos e-books querer o livro físico, edições caprichadíssimas e um preço inexplicavelmente OK. Não faço ideia de como eles fazem isso, mas assim que eles responderem meu e-mail com pedido de entrevista eu posto aqui.

O Demonologista é um lançamento que rapidamente chegou à lista de mais vendidos. Estava na fila aqui há um tempo e decidi dar uma chance. A leitura rolou quase que numa tacada só (ou o tanto que isso é possível quando se tem um bebê em casa). Se você se interessar pela história, aconselho a edição física, reproduzida na imagem acima: o volume parece envelhecido, com a lombada descascada de propósito, dando ideia de ser aquele livro “proibido” esquecido na estante do seu parente mais velho.

David Ullman é um professor de Columbia especializado no livro O Paraíso Perdido de John Milton. Embora tenha construído sua carreira explicando a calouros sobre o bem e o mal, ele é um ateu dos mais descrentes. Ciente de sua “farsa intelectual” tudo em sua vida parece ser mais ou menos, do trabalho ao casamento. O único aspecto em que sua vida parece realmente valer a pena é na relação com sua filha Tess, uma perspicaz garota de 12 anos.

Um dia, Ullman recebe uma visita esquisita em seu escritório: uma senhora de aspecto repugnante que o faz um convite: uma viagem com tudo pago para Veneza, a fim de que veja algo e dê sua opinião. Ele, depois de relutar, decide pegar a filha e partir para o feriadão prolongado em meio a gôndolas e hotéis de luxo. E é aí que a coisa complica: o que ele deveria ver para dar a opinião é algo assustador e a viagem acaba da pior forma possível.

David então entra numa piração paranóica e passa a ser assombrado por tudo aquilo em que nunca acreditou.

Como o próprio nome do livro indica e você deve imaginar, o Diabo está presente o tempo todo no livro. Algumas passagens chegam a ser um tiquinho assim, ó assustadoras, mas no fim das contas não consegui embarcar na história a ponto de sentir nem o mais leve cagaço esperado. Mas fiquei morrendo de vontade de ler O Paraíso Perdido (que foi relançado este ano pela excelente Editora 34 e vai acabar entrando na pilha de livros que eu vou enrolar, enrolar e nunca ler, mas fica a dica). Talvez para quem conheça a obra o livro ganhe uma interessante camada.

O livro até tenta, lá perto do final, engrenar de novo com a revelação de um fato bem marcante na história de Ullman, com a relação entre ele e a amiga doente, mas toda vez que o principal antagonista entra em cena, eu dei uma broxada na leitura. Em uma das conversas dos personagens principais na Grand Central Station (a ambientação da história em Nova York, por sua vez, é impecável) me senti vendo um daqueles vídeos de pastores neo-pentecostais fazendo um exorcismo na TV.

Assim, o livro não é de todo mal, e por ser pequeno (não se deixe enganar pelas mais de 300 páginas), bem ilustrado, a leitura é rapidinha. Vale a pena, mas não é nada demais. Ainda assim, fiquei curioso para ver a adaptação para o cinema, que será dirigida por Robert Zemeckis.

Ficha técnica:
O Demonologista (The Demonologist)
Andrew Pyper
Tradução: Cláudia Guimarães
Darkside Books
326 páginas

 

Avaliação
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Vale mais pela forma que pelo conteúdo. <br>A história tem uma premissa interessante, algumas passagens muito boas, mas o final é decepcionante. Ainda assim, cabe na lista de leituras pro fim do ano

 

2 comments

  1. Kazu, O Demonologista está na minha wishlist há tempos. Sempre coloco no carrinho (porque, apesar de lindo e hardcover, ele é barato), mas sempre tiro. Não sei o porquê, mas tenho a sensação de que a história não vai atender às minhas expectativas, que é basicamente sentir o cagaço que você disse que faltou. Mas quem sabe uma hora dessas eu não experimente?

    Beijos

    1. Que legal você por aqui, Nádia! Acompanho teu blog faz tempo! Então fui pelo hype e acabou decepcionando um pouco (mas que é um livro lindo, puta edição, isso é!)

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