RESENHA: Sobre a Escrita

Quando o mestre fala, a gente escuta.

Você pode ter (eu as tenho também) muitas críticas sobre Stephen King: que é um escritor de uma fórmula só, que metade de seus livros poderiam ter 40% a menos de texto que não mudariam nada, que em sua extensa obra tem muito livro ruim… Mas temos que concordar que o Mestre do Terror sabe escrever. E um pouco dessa sua jornada ele divide no livro Sobre a Escrita: A Arte em Memórias (Ed. Objetiva, via o selo Suma de Letras), lançado nos EUA em 2000 e que chegou por aqui este ano.

sobre-a-escrita-stephen-king-suma-de-letrasO livro (curto e delicioso) é dividido basicamente em cinco partes.

Em Currículo ele faz uma breve autobiografia dividida em pequeninos capítulos. Em vez de seguir algo tradicional, ele conta de forma muito bem humorada diversas passagens de sua vida que direta ou indiretamente contribuíram para sua escrita. De causos em que se ferrou indo na onda do irmão, das diversas recusas de editoras e revistas literárias, até sua interessante relação com a mãe. E também fala de forma muito aberta sobre seu vício em cocaína e álcool – inclusive entregando quais obras foram escritas sob seus efeitos.

Em Caixa de Ferramentas e Sobre a Escrita, os capítulos centrais da obra, ele destrincha dicas e exemplos do que considera bons e maus textos, seus e de outros autores. E é aí que o livro ganha seu valor. Quem já frequentou oficinas de escrita criativa sabe que essa parte pode ser bem maçante (embora essencial) para um aspirante a escritor. E Stephen King escreve aqui com uma desenvoltura fantástica. A edição também acerta bastante ao colocar reproduções de páginas riscadas a caneta e textos no original (em inglês) e com a tradução. Um erro muito comum nesse tipo de material é tentar adaptar as “dicas” – que geralmente fazem sentido em inglês – para o português, ficando por vezes sem sentido.

Eu raramente faço anotações e marco livros. Sei lá por que. Não gosto. Mas meu exemplar de Sobre a Escrita foi marcado, riscado e sublinhado algumas dezenas de vezes. Foi a aula de escrita mais barata que tive nos últimos tempos. Também faz tempo que não leio nada dele. Mas lendo Sobre a Escrita, relembrei os cagaços homéricos que tive lendo algumas de suas obras. Certamente vai algum pra pilha de leitura logo mais.

O livro termina com um capítulo escrito após o acidente que quase o matou em junho de 1999. Enquanto caminhava numa estrada próximo a sua casa de campo, Stephen King foi atropelado por um motorista com uma ficha de infrações da grossura de IT: A Coisa. Perna esmigalhada, lesão das vértebras, uns pares de costelas quebradas, um verdadeiro ARREGAÇO, tudo contado de forma tão envolvente que, se o livro não tivesse sido lançado pelo atropelado um ano depois, o leitor ficaria esperando a morte do cara no fim do capítulo.

E, como cerejas do bolo, o texto de 1408 anotado e corrigindo, colocando na prática toda a teoria apresentada nos capítulos centrais, e duas listas com 176 livros dos quais ele gosta e recomenda como boa escrita. Tá bom pra você?!

Avaliação
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Uma aula de um autor que - goste você ou não - sabe o que faz. Se você já pensou em escrever ficção alguma vez na vida, leia AGORA.

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